Dia do Maratonista: a minha primeira maratona

No 7 de agosto é o dia do Maratonista, para comemorar essa data, vamos relembrar como foi a primeira vez do Ed

Correr uma Maratona é um sonho para muitas pessoas, mas requer muito preparo físico, exige muita dedicação, paciência e disciplina.

A cidade de Florianópolis, em 3 de junho de 2018, às 6h30, ainda escuro. Sob o frio do outono no Sul do país foi a condição que o servidor público, Edgar Santana, escolheu para correr a prova de 42.195 metros.

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O atleta amador, que é conhecido na internet como Ed do Instagram @boacorrida, corre desde 2015 e já tem experiência de 16 Meias Maratonas e algumas provas menores. Mas, recentemente, o seu maior desfio foi encarar uma das maiores metas de um corredor – concluir uma Maratona.

“Eu me apaixonei pela corrida por acaso, gostava de treinar musculação na academia, era marombeiro, até que comecei a correr na esteira para aquecer e fui aumentando cada vez mais o tempo até trocar a maromba pela corrida”, conta Ed.

O corredor conta que treinou 6 meses para estrear numa maratona. Ele havia planejado que seria na Maratona de São Paula, em abril, mas faltando poucos dias para prova, se lesionou e não pode ir.

“Eu me lesionei porque não respeitei o tripé da preparação: treino, alimentação e descanso. Essa parte do descanso para mim é difícil, quero correr sempre mais”, conta Edgar.

Após um tratamento intensivo na fisioterapia para curar a lesão na virilha, conseguiu se recuperar focando na Maratona de Floripa.

“Em abril, quando perdi a chance de correr a Maratona de SP, após mais de 5 meses de dedicação aos treinos,  achei que não daria para correr a de Floripa devido à lesão. Tentei até cancelar as passagens aéreas, mas ainda bem que não consegui”, conta aliviado.

Os treinos para maratona continham um volume de 70km a 90km de corrida por semana, como rodagens leves, velocidade e longos, que eram passados por um coach, fortalecimento muscular e abdominal na academia, além de fisioterapia.

O GRANDE DIA

“Acordei às 4h, estava bastante frio em Florianópolis, fiz minha oração, pedi a Deus para que eu concluísse a prova sem me machucar. Já tinha separado tudo no dia anterior, vestuário, tênis, acessórios e alimentação para consumir durante a prova. Tudo já tinha sido testado nos treinos.

Descemos para o café da manhã, eu e a minha esposa. No restaurante, dezenas de corredores agitados, uns iniciantes temerosos, outros mais experientes, mas não menos receosos. Me alimentei bem e procurei também comer de sempre: banana, aveia e mel. Levei um lanche e uma banana para comer na largada. No bolso, quatro tabletes de chocolate amargo que consumi durante a prova.

Chegamos na largada às 6h, encontramos o pessoal da nossa assessoria, a energia da galera era muito legal, cerca de 12 mil atletas, fui ao pórtico de largada faltando 5 minutos para o start.

Durante a prova, já nos primeiros quilômetros senti a respiração muito acelerada. Era nervosismo. Precisava me acalmar ou aquilo iria me cansar demais antes da hora. No quilometro 8 as coisas foram melhorando, já não estava tão frio e o sol já dava boas vindas. Fui até o quilometro 24 em um ritmo bastante confortável contemplando o visual maravilhoso da Ilha da Magia. A partir do 25, me sentindo muito bem, resolvi acelerar um pouco.

O MURO DOS 30

Na sequência, veio a temida barreira dos 30 da maratona após mais de 2h40 de corrida, momento em que o cansaço físico é grande, a energia está reduzida, o raciocínio lento, pernas e braços estão muito pesados e não se movem com facilidade, a postura já está comprometida, a mente diz que ainda falta muito, passa a ser extremante importante a força mental. Passei pelos 30km apreensivo, sentindo uns pequenos sinais de dor no joelho, que não sei precisar se existiam mesmo ou eram só psicológicos, mas segui sem problemas.

Fui encontrando os amigos pelo caminho durante a corrida, conversava um pouco, observava as belezas do percurso, diminuía a tensão e seguia firme no meu ritmo.

No quilometro 39, muito cansado, mas feliz e agradecido por estar ali realizando um sonho, fiz uma avaliação rápida e percebi que estava tudo bem, que tinha gás para acelerar mais um pouco, então dei um Sprint final para cruzar a linha de chegada.

A LINHA DE CHEGADA

 

Conclui a prova em 3h45min, velocidade média de 11,2km/h, correndo normalmente, sem nenhum problema muscular. Geralmente a chegada dos amadores na Maratona é bem sofrida. Mas estava bem preparado e com a cabeça muito boa naquele dia. Deu tudo certo”, relata Ed.

MENSAGEM PARA QUEM CORRER UMA MARARONA

“Correr uma Maratona é um sonho, algo mágico, a linha de chegada é transformadora, tudo na vida parece se tornar mais factível depois. Mas para isso é fundamental ter paciência para começar do começo, criar uma experiência, correr provas menores, conhecer bem seu corpo em treinos longos, treinar a mente. Conhecer que tipo de alimentação é melhor para você, que tipo de tênis e acessórios encaixam melhor  – nem sempre a regra da moda é a melhor. Isso tudo demanda tempo e paciência.

A querida Maratona gosta de ser respeitada. Prepara-se bem, procure profissionais qualificados para lhe orientar. E vem com a gente rumos às Boas Corridas”, finaliza Ed.

 


Por Thábata Santana |@thaby_mondoni