VOCÊ É UM CORREDOR EDUCADO?

A forma como corre pode dizer muito sobre como você é de fato

O ser humano é curioso. Nossa capacidade de autocrítica é extremamente baixa.

Quando estamos de carro, nos incomodamos com o ciclista que está no meio da pista e não acelerou ou te deu passagem. Quando estamos de bike, achamos absurdo os corredores que ficam correndo na ciclofaixa. E quando estamos correndo, ficamos indignados com ciclistas que passam do nosso lado xingando na ciclofaixa (afinal, você deixou espaço para ele passar), ou quando um carro não deixa de acelerar porque estamos passando no meio da rua, no sinal vermelho.

Nesse cenário onde nosso lado é sempre o da razão, fica muito difícil nos entendermos como cidadão pleno e avaliar nosso papel como esportista. Puxar a sardinha para a “nossa classe” é quase irresistível.

Por isso, eu proponho um desafio a você: antes de avaliarmos nossos direitos como corredores, que tal avaliarmos nossos direitos (e deveres, principalmente) de cidadão?

Você entende que, quando está na ciclofaixa, está tomando um espaço que é destinado aos ciclistas? Importante: EU corro na ciclofaixa. Mas sempre me senti o invasor, não o invadido, independente se o ciclista tinha espaço ou não para passar. Tudo bem, muitos são grosseiros ( as pessoas, não necessariamente os ciclistas,ok?), mas isso não muda o fato que aquele espaço não é destinado a nós.

Quando participa de uma prova, costuma jogar o copo para cima, para o lado, ou bem longe de uma área de hidratação, sem se importar com o colega de prova do lado, ou se a organização terá condições de achar seu copo na via (afinal, você pagou pela inscrição e é obrigação ela limpar tudo, não é mesmo?).

Ainda melhor: você costuma correr de pipoca nas corridas? Pois a rua é pública, não é isso? Imagine se os carros pensassem dessa forma num momento de festa de rua. A comparação pode até ser extrema, mas a lógica não é.

E por fim: você procura entender seu papel no mundo, reduzindo o lixo que você produz (copos plásticos, embalagens) e sendo gentil com as pessoas que não tem nada a ver com a SUA sessão de treino nos parques, ruas e praças espalhadas pela cidade?

Ser corredor é mais do que tudo, ser cidadão. E num país onde pregamos cada vez mais a ética para nós (e principalmente para os outros), não custa nada avaliarmos nossas atitudes e nos colocarmos no lugar dos outros, não é mesmo?

 

 


FONTE:

Darlan Duarte

Técnico e fundador da Pacefit Running & Performance

www.pacefit.com.br