COMO UMA CORRIDA NA CHUVA ME ENSINOU A TREINAR O PSICOLÓGICO

Além de treinar o fôlego, a técnica e a musculatura, é possível treinar a mente também.

No último sábado, 05 de agosto, eu fui treinar no lugar que mais goto de correr: a Estrada Velha de Santos. Combinei durante a semana com uns amigos o ponto de encontro e o horário, às 6h30, em SBC. Tinha um longo de 15 km na planilha da Pacefit pra fazer neste dia.

Já fazia uns 2 meses que eu não ia treinar na EV, estava com saudade do meu lugar preferido. Acordei cedo, às 5h30, olhei na janela, estava chovendo, muito frio. Peguei o celular e um dos amigos, o Wagner, já estava online. Eu ainda tinha esperança que eles cancelassem o encontro devido à chuva, então enviei uma mensagem perguntando se lá perto estava chovendo. Muito rapidamente veio a resposta: “Não! Já estamos a caminho!” Ele me enganou em parte. Realmente estava a caminho, mas estava chovendo lá, sim…rsr

Os caras já estavam indo, então tomei coragem, coloquei o shorts, a meia, o tênis, a jaqueta corta vento, tomei café….e… fui.

Chegando no ponto de encontro, já estavam os 3 caras lá, apenas uma pessoa, dos que haviam confirmado, não foi.

Chegamos na EV às 7h. Chuva forte, frio. Não tinha ninguém por lá, em um local que de sábado, entre 6h e 9h, é o point de atletas, principalmente, triatletas de um nível avançado que fazem treinos fortes de corrida, bike e natação na represa Billings em meio à Mata Atlântica.

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15k na chuva na Estrada Velha de Santos

Sem muito papo, sem alongamento ou aquecimento (se pensássemos muito poderíamos desistir, entrar no carro quentinho e voltar pra casa, pra cama), começamos a correr na chuva forte. No início veio aquele desconforto de sentir a chuva no rosto, a visão embaçada, a roupa molhada, grudada, pingando, o tênis e a meia encharcados (molhar o pé pra mim é o pior). Isso tudo foi muito desconfortável, chato mesmo!

No km 5, aproximadamente 25 min de corrida na chuva, no frio, começou a bater a endorfina, o desconforto já era bem menor, começamos a curtir a chuva, a manifestação da natureza. Começamos a agradecer a Deus pela chuva. E realmente começamos a curtir estar ali na chuva, no frio e todo molhado. Até o pé molhado já não me incomodava mais.

Rodamos os 15km em 1h16min, pace de 5″08.  Desse tempo todo, uns 40 min foram na chuva forte, uns 20 na garoa e uns 16 sem chuva, apenas vento e frio.

Um dos amigos que estavam com a gente, o Alberto,  é mais focado em bike, e já tinha passado perrengues bem piores que esse. Já havia corrido provas de 150 km de bike na chuva forte, que além de muito desconfortável, é bastante perigoso. Ele tirou de letra essa corridinha, já está acostumado.

No final do treino todos nós ali, entorpecidos naturalmente pela endorfina, concordamos em uma coisa. O treino foi ótimo, muito bom. O meu amigo do pedal disse: “ eu pedalaria mais uns 100 km agora”. O outro que é mais focado na natação, o Moroni, foi mergulhar na represa, mesmo com aquele frio todo. É maluco!

Muitas vezes ficamos presos a nossa zona de conforto. “Se está muito frio, eu não vou. Se está muito calor, eu não vou. Se for à noite, eu não vou.”

Sair da minha zona de conforto me fez ver que correr em situações adversas é muito legal também e tem um grande efeito no fortalecimento do fator psicológico na corrida. Depois desse treino, eu estou pensando que, ao fazer treinos desses de vez em quando e acumular essas experiências de perrengues, irá fortalecer o psicológico para provas mais duras como as maratonas, por exemplo. A mente vai estar calejada e, quando vierem as dificuldades, ela vai passar a seguinte mensagem para o corpo: “Você já está acostumado com esses desconfortos, siga em frente!”

Esse treino do último sábado me ensinou, na prática, que é possível treinar também a mente. Foi uma ótima lição.

 

Um grande abraço, cuide-se, corra e seja feliz!

Edgar Santana