LIÇÕES DA MARATONA QUE NÃO TERMINEI

Não foi dessa vez que eu concluí a minha primeira maratona. Eu abandonei a prova no km 36 devido a fortes dores no joelho esquerdo e cãibras na panturrilha direita.

Como foi a prova

Estava tudo perfeito, tinha treinado bem (relatei o clico de treinos em post anterior), estava descansado, cheguei 1h antes no local da largada, não levei nem o celular para ficar concentrado, fiz um bom aquecimento bem tranquilo, o clima estava ameno. Mas no dia anterior, do nada, tinha sentido uma leve dor no peito do pé direito. A dor não era forte, mas isso com certeza abalou muito o psicológico.

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Km 28

Durante os primeiros km da prova eu sentia a dor no pé, ela não me atrapalhava a manter o ritmo planejado (pace 5’20 na primeira metade), porém, automaticamente eu comecei a aliviar a pisada direita e compensar na perna esquerda. Devido a esse desequilíbrio, já no km 8 eu comecei a sentir um incomodo no joelho esquerdo. A partir do km 14 a dor no pé direito continuava, mas não atrapalhava, porém, o incomodo no joelho esquerdo virou uma dor significativa, corri mais 10km com essa dor mantendo ritmo planejado. No km 24, o calor já era grande, mas isso não incomodava. A dor era mais forte e o ritmo caiu (pace de 6”). Corri mais 11 km com uma dor forte no joelho direito e um incomodo no pé que me acompanhada desde o dia anterior.

No km 35, sentindo essas dores, ainda me veio uma cãibra na panturrilha direita. Aí, infelizmente, eu tive que abandonar a prova, pois não dava mais para correr e não queria terminar a prova andando, teria que andar mais 6 km. Eu quero completar os 42k correndo, sem andar, ainda que seja em um ritmo lento.

Organização

Eu achei a organização da prova ótima, não atrasou a largada, tinha bastante ponto de hidratação com água gelada (corri provas recentes com água quente), pontos de isotônico, teve até batata cozida na altura do km 30. Parabéns a Yescom pela ótima organização dessa prova.

Lições

Humildade: assumir que sou muito limitado e ter paciência para superar os limites, um de cada vez. 42km é muita coisa, só na prática para ter uma ideia real dessa distância.

Treinamento: treinar mais vezes corridas acima de 30 km, eu só tinha feito uma corrida dessa. Se fizer mais corridas acima de 30 o psicológico vai jogar a favor.

Psicológico: pude perceber na prática o que já sabia na teoria. Na corrida, principalmente na maratona, se trata mais da mente do que do físico. Não adianta o corpo estar pronto se a mente não estiver. A mente tem o poder pleno sobre o físico e pode ajudar ou atrapalhar.

Descanso: nas duas semanas anteriores à prova eu corri pouco, só três vezes em duas semanas, reduzi mais da metade o volume achando que precisaria desse descanso todo. De todos os erros, eu acho que esse foi o maior deles. Não há a necessidade de reduzir tanto assim os treinos, é até prejudicial. Eu acredito que essa dorzinha no peito do pé, que desencadeou tudo isso, foi por causa dessa pausa, esse “descanso”. É importante descansar, mas reduzir tanto assim foi realmente muito ruim.

Vou levar essa máxima para o resto da vida: Não adianta descansar muito, se descansar errado.

Alimentação: não senti fraqueza ou perda de rendimento que eu atribuísse à falta de energia, o que senti foi psicológico e muscular. Não acho necessário fazer duas semanas de aumento de carbo, só 2 ou 3 dias antes, um aumento leve, já é suficiente. Os géis e o isotônico durante a prova ajudam bastante.

Folego e Ritmo: os treinos intervalos com tiros de 2km e 3km foram ótimos, esses tiros eu fazia no pace de 4”, até um pouco menos, e nos treinos longos eu segurava em 5”10 à 5”30 tranquilamente, não me senti muito cansado em nenhum momento na prova, nem mesmo no km 36, daria para fazer os 42km em um ritmo leve sem faltar folego. Não se trata só de folego na maratona, a coisa é mais séria que isso.

Depois deste dia, a minha admiração por quem corre os 42k, corre mesmo, sem andar, só aumentou. #maximorespeito

Se fosse fácil não seria tão apaixonante.

É isso, essa foi só a primeira tentativa, foi um ciclo de treinos e um dia de muito aprendizado, espero poder praticar essas lições, corrigir os erros e estar mais preparado na próxima que será em breve. Mais experiente eu estarei com certeza.

Agora é me recuperar e recomeçar um novo ciclo se divertindo e curtindo as boas corridas nos treinos e nas provas independente da distância.

Agradeço imensamente o incentivo de todos. Espero que esse relato possa ajudar algum corredor a não cometer esses mesmos erros.

 

 

Um grande abraço, cuide-se, corra e seja feliz!

Edgar Santana